Espero sentado pelo sonho que virá

Postado por Joao Almeida em 11/04/2017 11:15:02

 

Saberia eu que pudesse acontecer, sempre julguei que fosse algo que só aos outros aconteceria, talvez isso revelasse algo de mim, sim, acredito que possivelmente teria mais espaço, ou tempo, ou algo de outra natureza que me pudesse estruturar melhor, mas não tenho, ou não tive, e muito menos irei ter.

 

Coisas que acontecem, do dia para a noite, de noite o dia tornado incerto, desconhecido e impalpável, decerto os dias que mudam, e jamais poderão voltar ao mesmo, resta saber o tempo e espaço, e a aceitação desse lugar que ficou, que fica e se transmuta, e se irá alterar no futuro.

 

Não sei bem o que hei-de sentir, nem sei se tenho essa capacidade, é estranho, é sensível, é um horror ter de não me sentir horrorizado com isso mesmo, como uma tempestade, sei lá, qualquer coisa que se deva dizer, ou sentir, mas neste momento, é me incapacitante ter de o fazer.

 

Quero voltar atrás, quero alterar, mas é impossível, e além de ser impossível, lá no fundo começo por perceber que algo irá acontecer, não sei bem o quê, mas algo sim, decerto que acontecerá algo.

 

Imagino a possibilidade de um dia voltar aos meus sonhos, ou à minha vida, calhando até desconhecer o que estou neste momento a sentir, dizem os teóricos que o tempo cura, mas a mente perdura, e a memória é um oceano que devora e corrói, os últimos cinco minutos dizem-me isso, não sei, ainda processo a minha incapacidade para processar seja o que for.

 

Esse processamento, os livros dele falam, mas prefiro os poetas e as poetizas, sempre dão algum calor, algum conforto quando assim a alma não mo oferece.

 

O nascer, começo por pensar nesse escuro, que encerra por vezes, ou no vislumbrar de um outro dia, mas espero que esta incerteza e ansiedade me alcançam, deixo de mim, mas em mim, um pouco de tormenta e de tragos lúcidos, onde o ver não será sinónimo de acreditar, mas sei que nada espera por nós, há o caminhar e há o errar, há essa dualidade infernal, mas que constitui aquilo que se deve realçar de momentos que tendem a sufocar quem nunca se sufocou.

 

Busco essa escuridão em mim, não mo deixam, mas quero, mas não consigo, e espero por mim próprio, mas não mo permite esse sonho mau que chega e não vai, embora...

 

A vida, não espera, e quando decide irromper será rápida, será incansável, será brilhante como as estrelas que não me amparam, ou penso que não, mas acho que esse melhor irá vir, irá chegar...

 

Ninguém repara, tudo dói, tudo perdura, e nada se sara, feridas que se abrem de dentro para fora, e de fora para dentro, mas a união, a relação, por mais ou menos magoada que esteja, lá se vai comportando como uma vel acesa que se sonha, é isso, tenho de sonhar, mas estou bloqueado, estou parado, parei no tempo, fui rebelde, como qualquer pessoa que tem fogo dentro de si e vontade de viver mais que muita, que core riscos, porque quem não arrisca muito provavelmente não petisca, é verdade, os sonhadores acontece-lhes isso, coisas que nem eles sabem que algum dia teriam de viver, não pararei neste momento de acreditar que poderei saber mais ou menos do que aquilo que neste preciso momento penso que si, que a simplicidade dos tempos se tornará breve e incalculavelmente descontrolada e desconfortável, a inquietação, a intemporabilidade insustentável, a leveza que tal carga comporta, e a estancagem desta dor, que não a sinto, não a quero sentir, é estranha, e dói, mais que tudo, mais que em todos, mas o silêncio comporta esta magnitude, desde a palavra ao silêncio, mas é algo que contagia e todos sentem, por vezes o corpo e a presença do mesmo será mais quente que tudo resto, mas a vida segue, e vai seguir, apesar de diferente, apesar de eclipsada pelo sentimento...

 

São erros que se cometem sem uma razão, ou conciliação entre aquilo que é certo, ou errado, mas a força e sensatez em encarar a loucura, aquilo que desorganiza e aquilo que fere e mata por dentro, aquilo que é sensível, mais uma vez, vez não são vezes, queria correr para longe e ser livre, mas sei que aqui estás, por alguma razão um norte, rumo de mim, um auxílio, alguém que me mostra o belo de sofrer e a incompletude do viver, mas isso mesmo que se retrata, neste momento, o sítio onde não quereria estar, mas decerto o lugar que me tornará melhor, e o que de forte que não mata, será o certo, correcto, que me fará respirar, para um dia poder dizer que sim, valeu a pena, ainda que magoe, ainda que não haja um momento, segundo que não se pense no que seria...

 

Ficará sempre um mas, um momento onde se questiona a verdade por de entre a mentira, ou o ofuscar, é complicado, arriscado, um largo momento entre a ida e a vinda, entre o que fica, e o que realmente se torna...

 

Mas, sei que não podem muito mais do que me dão, sei que não posso muito mais do que me aconteceu, mas sei que me posso muito mais do que pensei que não conseguiria, e em menos de um dia, que se torna noite, e novamente dia, caminhar de uma outra forma, talvez menos ingénua e inocente, mas sim madura e adulta, com noção da autonomia e independência, mas deixem-me estar um momento, não sei bem qual, mas sei que estou num certo e decerto que será um qualquer que eu nunca havia conhecido... mas assim se cresce, assim se torna conhecimento e vida num delicioso tormento, que se aprenderá a viver, sempre com a imediação de um ou outro sonho, talvez quem sabe, um dia, poder voltar atrás e sorrir, sei que será algo desse género, espero que seja...

 

Por agora, vou deixar-me dormir e sentir a vida que me fica, para amanhã me levantar, e que do breu, se irradie em horizontes...

 

 

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