Sobre a impossibilidade de se amar

Postado por Joao Almeida em 14/07/2017 11:45:02

Que se acredite que poder-se-ia acreditar num lugar,

onde se vincularia a emoção, do sentir,

num canto belo, ao qual se corresponde,

numa definição que se pede,

que se pretende, perguntar-se-á sobre o amor,

como amar, se ninguém o verdadeiramente amou?

Amou-se a realização do acto,

Amou-se o corpo são e sexuado,

Amou-se o material que se foi tendo, e gastando, e tendo, e gastando,

Amou-se a imagem que se reflectia à impossibilidade de quem o criou,

Amou, o coitado, a sua perfeição contida no outro,

Amou o coitado, mudando-se, de fio a pavio,

Sem nada que acrescentar, sem nada de bom que realçar,

Que haja a critica, à puta que se pariu em torno de si,

Que o amor nesse caso seria uma mentira, que se diga que não se sinta dor, porque se sente,

Mas a perpetuação seria sádica e masoquista,

a perpetuação dessa dor de não ser amado, e de não amar, será sempre o motor,

esse motor da indefinição, dum vazio constante, duma morte desejada mas nunca, nunca, nunca alcançada...

Porque verdadeiramente se adapta, e se masacra, e de deprime, e se mata,

Diria o louco que por amor,

mas hoje escrevo, talvez em medida de sufoco e esperança de que um dia,

a mudança seja realçada, 

quanto mais falar no ser livre,

porque sou livre,

porque sou livre,

de liberdade,

e não de interditos vorazes, 

e não de impossibilidades porque a outra não se ama,

Dizia o poeta para si, amor que não se ama, irrealidade que se intromete,

Diria eu, puta que pariu, sou um gajo livre, que se foda à prisão de quem não sabe amar.

 

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