Nada sem amor importa

Postado por Clarissa Câmara em 01/08/2017 10:30:02

 

Do que você gostava mais daquele ciclo? O que você mais sabia sobre aquela fase? Pelo que você sofre quando fecha os olhos e pensa no que se foi?

Me fiz essas perguntas hoje de manhã, quando acordei super cedo e fui regar minha horta. Não faz mal essas crises chegarem até nós. Não faz mal passar pelo furacão. A gente só precisa saber pra onde ir depois que a tempestade acabar. Nesse momento eu me lembro de uma amiga que fez uma viagem à Patagônia cujo barco, durante a travessia dos lagos Andinos, quase virou durante um tornado. Ela me disse que o barco deu voltas e voltas, até que, passada a tempestade, todos se preocuparam em saber pra onde ir, pois, senão, haveria a possibilidade do barco voltar pra tempestade. Pra onde nós vamos quando tudo acabar?

Essa semana foi e está sendo uma semana difícil. Mas no meio do furacão, tem alguns fragmentos que nos lembram que o que vale a pena, o que de fato importa, não está nos momentos de agonia, nem revolta ou algo do tipo. O que importa não se materializa, não vira estudo, não sai na penumbra.

O que importa não esta na conta corrente nem no contracheque. Sabe o que eu tô falando? Não importa nada que te suga, te consome. Nada que te esgota e não provém do amor. Nada sem amor importa. Nada.

A terça-feira foi um dia agitado, e eu já estava sem muitas perspectivas de concluir tudo que tinha que concluir. Quando recebi um desenho da filha de um amigo. Ela me fez de mãos dadas com ela. Eu chorei.

Nada importa. Nada mais importa. As agruras, as tristezas, o trabalho que consome, a agonia de reuniões, as pressões de um ou outro artigo, nada importa.

O que importa é o agora, e eu tô aqui agora, e ainda amo muito. Esses ciclos todos me ensinaram muito sobre o amor e sobre o tempo. E tudo que aprendi sobre o tempo é que ele não existe. Exatamente. O tempo não existe. Se você chegou até aqui nesse texto é porque está caminhando lentamente pelo contínuo processo de pensamento e produção junto comigo.

Deve estar uns 25 graus lá fora, depois de tantos dias chovendo e fazendo muito frio, o céu abriu e o calor me fez repensar as botas que pus hoje. Tudo é transitório, tudo passa. Então por que nos ligamos a tantas coisas? Por que nos fazemos tão enraizados naquilo que temos e no que podemos ter, se tudo o que importa é o que permanece? Se tudo que importa não pode ser medido com o tempo?

É difícil repensar nossa vida nessa perspectiva. Mas é a mais coerente e a que não aprendemos com nossos pais. É a que aprendemos vivendo em crises, sofrendo pra fechar ciclos, construindo e desconstruindo. Preste atenção! O tempo não é o melhor remédio. Não, o tempo não é remédio. O tempo é uma variável, que estabelece um critério para as coisas. O tempo é um vetor que controla o incontrolável, mas sem uma fundamentação específica. O que cura mesmo é o amor. Ele não é uma variável, ele é um agente fundamental, constante. Ele não é um vetor, ele é o meio. Ele é a imersão do universo. Não é um sentimento, é uma força. Uma ação, uma impulsão. Ele cura tudo.

A única preocupação que devemos ter é pra onde voltar quando a tempestade passar. Não podemos deixar nosso barco voltar pro tornado.Não devemos nos perder no processo de desconstrução. O amor é o caminho.

Já se passaram duas horas e eu continuo na frente do computador sem sair do lugar em minha tese, porque tudo que me vem à mente é o que me move, e o que me estaciona. Percebi que o amor não move apenas, mas estaciona, estagna. Ele bloqueia também. Ele petrifica. Porque o amor tem a resposta pra tudo, e se a resposta for parar a caminhada, ele mesmo nos interromperá, até que estejamos aptos a senti-lo de novo.

Enquanto isso, aprecie a vista da sua caminhada daqui.

Hari!

 

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