Síndrome de Passarinho

Postado por Luíza Maira Silva em 16/07/2017 14:00:04

Hoje à tarde choveu e fez sol. Ao mesmo tempo. Assim como tem acontecido dentro de mim. Já é noite e eu não sei exatamente o que eu fiz do meu dia. Tenho que tirar coisas do lugar e pôr em outro lugar, porque estou fazendo uma pequena reforma no meu quarto. E uma pequena reforma dentro de mim também. 
Estou decidida a recomeçar. Radical como sou, nem mesmo a minha cama que carrega tanta história, tanto amor, tanto ódio, tanta despedida e tantas lembranças de tantos amores, nem mesmo essa fonte de lembranças vai restar.
Eu tenho uma necessidade imensa de migrar, de partir. Ir. Desapegar. Instinto de liberdade. Síndrome de passarinho!
Sabe, meu bem, mesmo que eu fuja ao tema, sempre te encontro dentro das minhas palavras. Você que chegou agora, me convidando pra dançar no meio da chuva com sol. Você me rodopiou tanto, que bagunçou minha cabeça! Fiquei tonta com tanta doçura. Agora entendo porque você partiu sem se despedir. Você o fez assim para que a beleza dos nossos encontros constantes a cada minuto não partisse contigo.
Agora entendo, meu bem. Mas digo-lhe com certeza que mesmo que mude os móveis de lugar, ou compre livros novos, você sempre será aquele que permanecerá. Aquele que me conquistava a cada olhar. Aquele que eu conhecia pela primeira vez pelo menos três vezes ao dia! Aquele que entendia exatamente cada palavra que eu escrevia.
Sua doçura me deixou. Agora me resta te deixar.
Estou decidida a recomeçar. E dessa vez, me doar. Ser-me toda! Tempestade e calmaria. Acho que só agora começa minha primavera. No meu tempo atrasado, mas certamente mais bela.

 

 

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