Ai, que saudade de...

...você

Postado por Luíza Maira Silva em 18/08/2017 11:00:01

Digamos que seja aquela saudade puramente erótica, de suor, mordidas e saliva. A mesma saliva que enche a minha boca agora ao lembrar dele entre as minhas pernas. 

Há o sentimentalismo, claro. Saudade de dormir de conchinha, de cozinhar juntos. Saudades do som do violão dele harmonizado à minha voz. Mas todas essas coisas levam ao princípio. O primitivo deleite dos nossos corpos já tão íntimos, unidos ao som dos gemidos. Saudade gostosa, sabe? Que faz morder os lábios involuntariamente e, dar aquele sorriso safado no meio de um café lotado, às 8:00 da manhã de uma quarta-feira sem graça? Essa mesmo.  Saudade de ser uma e ser muitas. Estar sob o controle das mentiras sinceras que ficam enroscadas em nossas pernas.  Saudade da poesia falada, gemida, trêmula, exausta traduzida no som do meu riso orgásmico seguido do riso dele. E das vontades sem dor, sem pressão movidas pela compreensão e empatia com a liberdade do outro. Saudade sem dramas ao som de Caetano. Saudade poente, se escondendo sorrateiramente maliciosa entre as ondas. Retornando cinicamente de manhã, bem cedinho pra me roubar aquele sorriso safado que é só dele em mais um amanhecer aparentemente monótono.  Saudade arte. Saudade poema. Plena.      

 

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