Inícios, meios e fins

Não necessariamente nessa ordem

Postado por Luíza Maira Silva em 15/12/2017 08:35:38

Lá fora, tudo é a mesma quinta-feira. Mas não aqui. Faço-me crer nas falhas imperceptíveis dos ponteiros que seguem lentamente sem serem notados. E nesse meio tempo de fins sem meios, gostaria de escrever algo sem firulas, direto e reto ao meu leitor.  Mas hoje me sinto cansada demais para acelerar a rota e antecipar a chegada. Não há razão para pressa. O tempo, por si só, é um velocista. Todos os ciclos dos quais me envolvi, me giraram numa dança desengonçada. E deles parti fazendo alarde. Deixando saudade. Sempre. Partir/chegar, basicamente é envolver-se em outros ciclos deixando aqueles de outrora pra trás. Tornar consciente a necessidade de aproveitar as coisas que a vida me oferece foi uma espécie de mantra que repeti diariamente. O momento é o agora e o amanhã independe da nossa vontade. Nesse jogo ganha-ganha-perde-perde da vida, o meu bônus era maior que o ônus. Inclusive essa foi a razão pela qual cheguei até aqui. Mas agora acabou, como todos os ciclos. A roda girou, sem dor ou pendências.   E se... definitivamente fosse possível desvencilhar-se daquilo que passou e, por fim, conseguisse abrir a janela e olhar a beleza do que há lá fora e por quê não a beleza do que se fez dentro? E se fosse possível descobrir que o sol está logo ali e que já se está pisando na estrada que levará para o mais inesquecível dos verões? Não. Não é possível “desviver” o já vivido. Zerar a conta. Pedir uma nova rodada. Colocar em prática a velha balela de que o presente deve se construir sobre o passado.

Se já chegou até aqui, provavelmente não morrerá disso. Independente do que seja "isso". Para alguns, os fins são sinônimo de melancolia. E talvez lhe doa entender que o ciclo fechou, mas amanhã (eu prometo, amanhã) se dará conta que o ciclo não se fechou coisíssima nenhuma. O que aconteceu foi que outro ciclo se abriu e há leveza nos recomeços. Não é a primeira vez. Você já está na estrada novamente. Um pouco debilitado talvez, como todo bom soldado que volta da guerra. Mas está de pé, pronto para começar uma nova jornada com destino (ainda) desconhecido.

Não tenha pressa. Afinal o tempo, por si só, é um velocista.

 

 

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