TRANSMUTAÇÃO

Postado por Mari Romualdo em 20/01/2017 13:00:04

 

A sombra era imensa. E quase circular. Pelo meio da tarde ela já começava a se formar conforme o sol ia descendo em direção ao horizonte e chegava algumas horas depois.
Delícia das delícias era estender um tecido qualquer e se esticar preguiçosamente com a cabeça apoiada ao tronco, o capim fazendo cócegas nas costas, o cabelo espalhado, os pés descalços e os olhos fixos no céu.
Observar as nuvens mudando vagarosamente de formatos, conduzidas pelo vento. Primeiro um bonequinho gorducho, em seguida um camelo, depois uma flor de 3 pétalas e com bastante imaginação até uma mulher montada em um cavalo.
O vento aumenta de intensidade e as nuvens ficam mais pesadas, ganham cores mais cinzentas e agora parecem castelos de um gigante cruel.
Em breve, os primeiros pingos, bem fininhos caindo no rosto, mas ela não se importa. Abre os braços em direção ao céu, como se todo o mundo coubesse neles enquanto a chuva cai agora bem mais forte.
A sensação é incrível, a roupa molhada toda colada ao corpo, refresca a alma e o coração.
Ela não quer que acabe nunca, quer ficar ali para sempre com todo aquele sentimento de CALMA que a envolve completamente. Somente ela e a natureza. Sem dominador ou dominado, mas apenas uma troca pura e simples.
E quando a tempestade finalmente se vai, frágeis raios de sol ainda insistem em iluminar o dia, porém ela agora tem a certeza de que não é mais o mesmo e sim um NOVO dia. Pelo menos dentro de si.

 

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