redacao @ hierophant.com.br segunda, 22 de dezembro de 2014

O Novo


barata

Gente, que coisa difícil é lidar com o novo, não? Dá um medão, uma vontade de sair correndo, de se enfiar debaixo da cama, de voltar para o mundo conhecido. Mesmo quando você acredita no resultado, sente que vai dar certo, ainda assim, o medo vem. Medo de passar de novo pelas coisas complicadas que passamos lá atrás. É uma coisa até meio irracional. Irracional como o medo de barata. Eu, por exemplo, morria/morro de medo de barata.

Daí, um dia, fiquei frente a frente com uma.

Meio-dia, sol a pino, no meio da cidade. Ela com um cigarro de lado, chapéu branco e duas Colt 45, olhando para mim, através da cicatriz no olho....

Eu, lá, com um inseticida na mão. Daqueles que prometem destruir o forasteiro. Era ela ou eu. Duelo sangrento... qualquer movimento em falso e pronto. Olhei firmemente em seus olhos e saquei o inseticida. Direto no centro da testa (neste momento de delírio, páro e pergunto-me como seria a testa de uma barata...).

Ela correu, se debateu e eu lá... com toda a força no gatilho do spray. Momentos de agonia, conseguiria o inimigo saltar em minha direção e me atacar? Na dúvida, tome inseticida. Bom, passado o drama, ela morreu. Na verdade, eu joguei tanto produto que ela derreteu, sabe.

Fase Um terminada. O inimigo estava derrotado. E o medo ainda imperava. E para recolher o cadáver? E se o cadáver ressuscitasse alí, na hora em que eu o recolhesse com a pá? Levei uma hora - 60 minutos!! - para criar coragem e ir até lá. Fim do serviço. E começo de outro: lavar o local banhado pelo inseticida. Fui dormir às duas da manhã - ninguém merece...

No meio da situação, duas de mim conversavam. Um dizia; "Aaaaaaaaahhhh!!!!!!!!!!!!", enquanto a outra dizia "Putz! Que saco! Uma barata! Mas tudo bem, é pequenininha, mato em dois minutos e pronto. Nem sei porque um dia tive medo disso..."

Esse diálogo, fora o dramalhão aí de cima, foi real. Eram duas de mim, olhando para a barata. Era como se eu tivesse a obrigação de ter medo do bicho. O episódio serviu para me alertar de uma coisa. Eu não tenho medo de barata - eu aprendi a ter medo. É diferente.

Provavelmente vi gente querida com medo de barata. Ou gente que eu achava que era uma espécie de herói. E se essas pessoas, tão fantásticas têm medo dela, é porque se trata de um ser terrível. Absorvi o conceito e repeti, sem pensar.

Mesmo assim, ainda tenho um certo receio de barata... Amenizei bem, né?

E venho pensando sobre o assunto. E sabe o que concluí? Que não sei lidar com a invasão. Pensa, comigo. Você (agora você fica um pouco com a barata, tá? hehehe) está lá, numa boa, pensando na vida e, de repente, uma coisa invade seu espaço, de surpresa. Ela chega e se apropria do momento, o medo dela nos coloca à sua disposição, acaba nos anulando naquela hora. Invade e domina, subjuga.

É disso que eu tenho medo. Invasão e domínio. Não da barata em si. E como fazer para não se deixar invadir ou dominar? É aí que entra a questão do Novo (pensou que eu esqueci, né?).

Como é quando a gente não se deixa invadir? Como é essa pessoa nova em que me torno quando tomo essa atitude? NÃO TENHO REFERÊNCIA desta nova pessoa, deste novo patamar de vida. Olhamos para o lado e dificilmente encontramos gente que "não tem medo de barata". Afinal, o padrão vibratório é outro e só atraíramos iguais. Nunca fomos até lá... O medo do novo nos traz de volta ao medo da barata, mundo conhecido.

E como mudar isso? Eu tenho tentado colocar mais fé em mim. Acreditar em todos os apoios, visíveis e invisíveis, que recebo. Avaliar o que sinto e seguir quando sentir que o caminho é aquele mesmo. Daí, vem o ataque mental, tentando fazer com que eu desista de alguma forma, o que gera conflito e dor interna. Dois gritos e essas idéias desaparecem.

Não é do dia para a noite que a gente aprende a se bancar. Mas o importante é continuar tentando, até o dia em que conseguiremos pisar na barata e seguir em frente, sem nos abalar. 


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