Gautama e o Gato

Postado por Papoula Brasil em 12/04/2011 12:38:03

Sidarta Gautama (o Buda) há muitos dias estava prostrado à sombra da grande figueira (Bodhi) sem comer nem beber. Seu corpo definhava enquanto sua mente se robustecia entregue ao profundo e sereno meditar. Mais do que nunca, ele buscava a compreensão do sentido da Vida.
De repente, Buda percebeu uma presença à sua frente. Sem abrir os olhos, ele divisou o gato imóvel que o fitava com vivo interesse. Nesta posição o animal permaneceu por alguns segundos. Depois, o felino emitiu seu suave e fraterno mantra de apresentação: Rooommmhhh... Rooommmhhh...

O diálogo

 
Sidarta Gautama: Você está perturbando minha tentativa íntima de expansão da consciência.
Gato: Engano seu. Eu faço parte do seu meditar.
Sidarta Gautama: Ora, você não passa de um gato. Como ousa interromper minha contemplação do Vazio?
Gato: Outro engano seu. Antes de ser um gato, o que não é pouca coisa, sou um arquétipo. Uma idéia poderosa que preenche e dá sentido ao Vazio. Há muitos outros semelhantes a mim no lugar que você atingiu agora com sua consciência. 
Sidarta Gautama: Se é assim, por que você assumiu a forma de um gato?
Gato: Um gato é uma boa medida de evolução. Porém é certo que eu poderia ter escolhido também a aparência de qualquer outro ser. O que mais importa neste momento é apresentar-me num formato reconhecível por sua interface mental. Aquilo que faz você distinguir a "realidade". Acontece que você ainda está condicionada à Maya, a extensa ilusão do mundo físico. Depois, quando por fim ultrapassares esta fase, você poderá nos conhecer como jamais pensou ser possível. Então vai descobrir que eu, você e tudo mais que o cerca somos um só na mais recôndita essência.

 

De onde tudo parte e para onde tudo converge, lá somos unos.


Sidarta Gautama: Se estou entendendo... Você é como um conhecimento armazenado no íntimo de todos nós, isso?
Gato: Muito bem... Sim, pertenço à imensurável e oculta biblioteca da Vida...
Sidarta Gautama: Por favor, explique-se melhor.
Gato: A natureza, toda vez que aprende, configura um arquétipo, o arquivo que conterá o conhecimento adquirido. Disso surgem as predisposições e a memória da Vida, pois basta ativar o que foi assimilado para reavivar a experiência em todo o seu teor. É devido a isso que os seres vivos nascem com uma programação prévia embutida. Porém não a confunda com destino... ou castigo inexorável. O entendimento é outro: você nunca se perguntou como pode, por exemplo, uma pequena aranha tecer sua teia complexa, mesmo sem nunca ter tido de sua mãe a instrução fabril de tamanha engenharia?




A natureza sabe devido a Informação armazenada nela.

 

Sidarta Gautama: Um manual?... A natureza tem um grande manual que faz tudo funcionar a partir de suas instruções?



Um arquétipo é um aprendizado (ou impressão) fixado e também manifesto nas dimensões física e psíquica.


Gato: Você avança rápido. Mas a natureza é mais que isso. Ela é um imenso processo dinâmico e em sincronia com todas as suas partes. Portanto, jamais estará concluída, como um sistema em constante aperfeiçoamento. Para quem a vê de fora sentencia: Evolução; para quem a compreende por dentro conclui: Aprendizado.
Sidarta Gautama: e como vocês, os arquétipos/arquivos, movimentam as engrenagens deste progresso perene?
Gato: Nós, os arquétipos, somos fundamentais ao esquema de desenvolvimento da natureza. Somos o lastro do seu progresso. E ela só pode avançar mediante aquisição de novos conhecimentos. Para tal necessita de memória (arquivamento) e de instrumentos adequados e distintos. Estes, que constituem a diversidade da vida em interação no planeta, lhes asseguram a captação de vivências na superfície. O âmbito em que ela manifesta o ensinamento implícito (arquétipos) através da conduta de todas as espécies. Pode-se dizer que é a informação instintiva aplicada ao comportamento dos seres. Em decorrência, tal fenômeno gera novos impulsos indutores de experiências que, por sua vez, vão alargar as fronteiras psicofísicas da própria natureza. A otimização resultante permite-lhe desenvolver habilidades através de um processo gradativo de capacitação e potencialização crescentes.




Sidarta Gautama: deixe-me ver se entendi bem... Arquétipos, que são tanto programas quanto arquivos muito sutis, servem para promover e consolidar o saber que se origina da experiência dos seres vivos. A partir daí a Vida avançará para outro estágio de aprendizado, quando então os seres experimentarão novos desafios. Disso nascerá a experiência que, uma vez fixada pelas gerações seguintes, reverterá em arquétipo/programa/arquivo no âmago da natureza. Assim a Vida se transforma e se refina em ciclos cada vez mais abrangentes... E queres saber o que eu achei mais incrível? Ela faz isso através de nós! De seres aparentemente insignificantes, somos em verdade extensões muito sofisticadas do processo de aprimoramento da própria Vida! E o Karma, que não é destino nem castigo, constitui a informação armazenada que Ela, a Vida, manipula e transmite para agilizar e fazer elevar, cada vez mais, seu crescente grau de aperfeiçoamento!!

Neste instante, o gato perdeu suas formas e Sidarta teve sua mente ofuscada pela Iluminação que, subitamente, o arrebatou para outro nível de entendimento...

 

fonte: gatosepapos

 

 

 

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